Empresas se opõem à criação de sites com endereço ‘.qualquercoisa’

A Associação Nacional de Anunciantes (ANA), dos Estados Unidos, juntou-se a outras 48 associações e 46 empresas para formar a Coalisão pela Fiscalização Responsável de Domínios de Internet (CRIDO, na sigla em inglês).“As organizações se opõem ao plano da ICANN, órgão regulador da internet, de adotar endereços de internet terminados em “.qualquercoisa”, como “tv.globo”, “noticias.g1”. Hoje, empresas podem usar somente as terminações tradicionais, tais como como .com, .net, .org e .br.


Entre as empresas que integram a coalisão estão nomes do setor de tecnologia como Adobe, Dell, HP e Samsung, mas também nomes como Coca-Cola, Adidas, Ford e Johnson & Johnson. A lista completa está no site da ANA.
As empresas acreditam que a nova proposta da ICANN, aprovada em junho, cria riscos e confusão para os consumidores –que poderão acessar os sites em uma infinidade de endereços– e também para as empresas donas de marcas, que terão de gastar dinheiro protegendo seus nomes ou adquirindo uma terminação própria. O processo de aquisição de uma terminação custará US$ 185 mil (cerca de R$ 330 mil).

Domínios terminados em “.com” hoje podem custar menos de R$ 40. Um endereço terminado em “.br” custa R$ 30. A ICANN é a responsável por definir e delegar as responsabilidades sobre esses domínios. A coalisão busca convencer a ICANN de que a proposta de sites com terminações personalizadas deve ser adiada e rediscutida, ou mesmo abandonada, mas a organização rejeitou qualquer adiamento.
“A proposta da ICANN é um peso injusto sobre uma diversa gama de donos de marcas globais e locais, públicos ou privados, que seriam forçados a gastar quantidades cada vez maiores de tempo e recursos simplesmente para protegerem suas marcas”, afirmou a ANA em uma petição assinada pelas empresas.
Profissionais de segurança da informação apontam há anos os problemas criados pela adoção de novos endereços da internet, que acabam sendo utilizados principalmente por criminosos – um argumento também citado pela ANA.

Em uma carta de seis páginas enviada como resposta às críticas da ANA, Rod Beckstrom, presidente da ICANN, afirmou que a proposta está de acordo com os princípios da organização e que estudos realizados geraram um “consenso” entre os conselhos da ICANN de que a proposta seria benéfica para a internet.
A ICANN ainda acusou a ANA de não entender a proposta e que as críticas feitas não tem fundamentação em dados ou argumentação. A organização ainda acrescentou que a participação no programa de domínios é voluntária.
“Está óbvio que estamos em desacordo e muito distantes em nossas visões”, respondeu o presidente da ANA, Robert Liodice.
A coalisão está solicitando intervenção do governo norte-americano.
Via G1

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