Marcha das Margaridas em Brasília recebeu mais de 100.000 pessoas e ainda contou com uma das líderes das margaridas: Dilma Roussef

Por Márcia Brasil
Cidade das Margaridas: entrada principal para o pavilhão de eventos e
acampamentos  (alojamentos)  dos  visitantes  de norte a sul
Margaridas do Sudeste e Nordeste
Na cidade das margaridas, em Brasilia, nome criado para identificar o local da marcha que é uma das maiores marchas brasileiras, senão a maior da América Latina, recebeu nos dias 16 e 17 milhares de pessoas em sua maioria mulheres de vários estados do país para participar da 4a  #MarchadasMargaridas. 


A Marcha das margaridas é uma homenagem às mulheres, principalmente a Margarida Maria Alves - trabalhadora rural, que foi presidente do Sindicato de Trabalhadores rurais de Alagoa Grande por 12 anos, na Paraíba, e, a mando dos usineiros da região, em 1993, foi assassinada brutalmente por um pistoleiro. Assim, a Marcha das Margaridas se concretizou como um ato de luta por dignidade e justiça, de todas as mulheres brasileiras.

Margaridas do Centro Oeste
As margaridas, nome carinhoso dedicado as mulheres caboclas e/ou urbanas, muitas delas, enfrentaram até 4 dias de viagem, vieram de todos estados brasileiros, de Norte a Sul, em busca de reconhecimento na política, igualdade social, luta pela reforma política e/ou reforma agrária, por justiça e dignidade. Mulheres que foram ou são vítimas da violência sexista, querem o reconhecimento do trabalho da mulher da floresta, seus direitos do trabalho da extrativista, quebradeira de coco, da seringueira, da cortadora de cana, buscam pelo desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade. 

Célia Regina: CNS
A Marcha que reuniu mais de 100 mil mulheres de diversas regiões do País na luta por melhores condições de vida e trabalho no campo e contra todas as formas de discriminação e violência, contou com o apoio da Célia Regina Neves (Secretária da Mulher Extrativista) da CNS (Conselho Nacional das populações extrativistas), Elza Campos da UBM (União Brasileira de Mulheres),  Nalu (Marcha Mundial das Mulheres), Rosane da Silva (secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT), entre outras onze organizações, representantes e entidades e movimentos que fazem deste encontro um espaço para reflexão da mulher nos dias de hoje.


Maria Isabel Correa (compositora de uma das músicas da Marcha das Margaridas) e  Elza Campos: UBM
Na parte da tarde, a abertura oficial da 4a edição da Marcha das Margaridas, da política da Marcha na cidade das margaridas, dia 16, muitos convidados compuseram a fala para o público presente, tais como o teólogo Leonardo Boff, entre outros. A  Ministra Iriny Lopes da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres citou as políticas renovadas para as mulheres, principalmente pela transformação do pensamento eleitoral, quando a população deu poder de voz para a representação maior como chefe de estado a  Presidenta eleita Dilma Roussef.

Dona Elisabeth Teixeira (foto tirada do telão)
Presentes no evento, mulheres como dona Elisabeth Teixeira líder camponesa que  foi homenageada. Ela lembrou emocionada o sofrimento com o assassinato de seu marido em 1962, e depois na ditadura militar, enfrentou  ameaças, perseguição e repressão, além do assassinato de dois filhos e uma filha que cometeu suicídio.

A organização da Marcha das Margaridas é coordenada pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais integrado pela Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag), por 27 Federações, e mais de 4 mil sindicatos e conta com ampla parceria de entidades da sociedade civil.

Os visitantes para a Marcha das Margaridas puderam contar com uma infraestrutura de grandes proporções para atender a milhares de pessoas com alojamentos, atendimentos médicos, alimentação e higiene. Para isso, a organização promoveu durante um ano campanhas com rifas, arrecadações de forma autônoma.
Estande do pavilhão, com exposição de produtos sustentáveis


No pavilhão Expo Brasilia, vários estandes expuseram os trabalhos manuais e industriais de meios sustentáveis do povo camponês e das florestas, de sementes, de diversos produtos naturais utilizados para fabricação de bolsas, chinelos, entre outros produtos, até camisinha. Apresentações musicais de ritmos regionais das regiões do Pará, Amazonas complementaram a mostra da cultura deste povo alegre. A noite no encerramento do 1o dia o show com a cantora Margareth Menezes.









Músicos da banda Toque de Mestre tocam carimbó, com instrumentos fabricados 
 sustentavelmente na  mistura com instrumentos clássicos: ritmo contagiante.
Músico da banda Toque de Mestre



































Prontas para marchar e a tarde recepcionar a presidenta Dilma Roussef, no dia 17 encerramento do evento, as margaridas cumpriram com o ritual saindo às 7hs da manhã, da cidade das Margaridas e marcharam até a Esplanada dos Ministérios, num percurso de quase 5 horas. A presença de milhares de margaridas, espalhadas pela esplanada até o canteiro do Congresso Nacional, teve a honra de mostrar ao mundo a importância da igualdade social, e que as mulheres podem exercer em todos os campos, seja nas políticas sociais, no lar ou no trabalho, rural ou urbano, competência organizacional, afetiva e o cuidado com o planeta Terra.


Margaridas no Congresso Nacional 
Margaridas na Esplanada do Ministério
No final da tarde, Dilma em seu pronunciamento disse  “Eu me comprometo a dar continuidade a esse dialogo respeitoso e companheiro que nós temos, iniciado no governo Lula”


Texto e fotos: Márcia Brasil


Leia o discurso da Presidenta Dilma  abaixo
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Vocês tem em mim uma presidenta margarida como vocês.




Do Blog do Planalto - 17.08.2011
Brasília foi palco, nesta terça-feira (17/8), de um dia que entrará para a história do país: o encontro da primeira presidenta mulher com cerca de 100 mil trabalhadoras rurais, que marcharam à capital federal em busca de justiça social e equidade de gênero. Ao participar da cerimônia de encerramento da Marcha das Margaridas 2011, a presidenta Dilma Rousseff divulgou uma série de conquistas alcançadas pelas trabalhadoras rurais a partir de negociações com o governo federal.
Os ganhos das trabalhadoras envolvem ações na área da saúde, educação, segurança, geração de renda, acesso à terra e crédito rural e erradicação da miséria, entre outras. O resultado das mesas de negociação foi reunido em um caderno resposta, que a presidenta Dilma fez questão de entregar pessoalmente às Margaridas na solenidade de encerramento da Marcha.
“Minhas queridas Margaridas, hoje estou aqui para dizer que a Marcha de vocês me toca e me emociona profundamente, não apenas como presidenta da República, mas como mulher e cidadã (…), e para reconhecer que muitas das demandas de vocês foram acatadas (…). O principal resultado é a continuidade do diálogo e do respeito entre vocês e o governo federal, iniciados pelo presidente Lula. Me comprometo a dar continuidade a esse diálogo respeitoso e companheiro e a ampliar o atendimento às justas reivindicações das trabalhadoras rurais”, disse a presidenta, ao iniciar seu discurso.
Entre as medidas anunciadas, a presidenta destacou a construção de 16 unidades básicas de saúde fluviais e de 10 centros de referência em saúde do trabalho voltados para o campo e floresta até 2012; um plano integrado em saúde para trabalhadores do campo e da floresta; o aumento do limite de venda da agricultura familiar para fornecimento da merenda escolar, de modo a atingir, ainda em 2011, os 30% de compra direta do governo à agricultura familiar previstos na lei; a inserção da Produção Agroecológica Integrada Sustentável (PAIS) no Plano Brasil sem Miséria e aumento da dotação orçamentária do programa; ampliação do crédito rural, com elevação da participação da mulher e linha exclusiva às trabalhadoras; ampliação do acesso à creche e expansão da rede escolar na zona rural, entre outros.
A presidenta também chamou a atenção para um plano de enfrentamento à violência contra a mulher do campo, a implantação de programa de documentação civil na Amazônia, com foco na mulher, a instituição de grupo de trabalho para elaboração, com a participação da sociedade civil, de um programa nacional de agroecologia e o início de um diagnóstico de todos os assentamentos rurais no Brasil, para “definir como encaminhar a questão do acesso à terra daqui por diante”.
“Eu quero intensificar o diálogo do governo com vocês. Tenho certeza de que o debate com os movimentos sociais é fundamental. E tenho certeza de que as críticas e as sugestões são essenciais e muito bem vindas, pois permitem que façamos cada vez melhor, que possamos, juntas, construir o Brasil que queremos: um país sem miséria, um país rico (…) e um país mais justo e menos desigual”, concluiu.
Ouça na íntegra todo o discurso da nossa querida Margarida Presidenta Dilma Roussef, aqui

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