Ativista argentino reforça o papel das redes sociais nas revoluções

O início de 2011 ficou marcado pela Primavera Árabe, apelido dado à série de revoluções iniciadas na Tunísia e que refletiram posteriormente no Egito, Bahrein, Síria e Líbia. Em grande parte dos protestos, principalmente no caso do Egito, as redes sociais foram atores decisivos. Utilizadas como ferramentas de mobilização e até mesmo como fonte para muitas emissoras de TV e de jornais, os meios digitais se afirmam como uma das principais vias de informação em um mundo com menos barreiras. 


Na onda dos protestos políticos, organizados pela internet, a América do Sul não ficou de fora. Manifestações recentes em Santiago do Chile, no Peru e na Bolívia, tiveram as redes sociais como agentes relevantes O ativista argentino Jorge Carcavallo Picho, representante do movimento "Free Tibet" nas Américas, falou ao Portal IMPRENSA sobre o papel das mídias sociais nas revoluções políticas.
Portal IMPRENSA - O que mudou no ativismo político depois das redes sociais?
Jorge Carcavallo - As tecnologias que os seres humanos desenvolveram serviram para facilitar as coisas. Diminuir o tempo, aumentar os impactos. O que acontece hoje com as redes sociais é simplesmente uma diferença de escala. Uma analogia entre andar a cavalo e de Ferrari. No caso do Egito, por exemplo, as pessoas já se deram conta de que foi possível quebrar as barreiras impostas pelos políticos, e por isso, utilizaram todos os recursos possíveis e obtiveram êxito.

IMPRENSA - Como diferenciar barulho de soluções efetivas?
Carcavallo - Aumentamos o volume de informação, porque, por exemplo, hoje os usuários do Facebook informam os especialistas em meteorologia dos canais de televisão sobre o que está acontecendo no bairro. A grande maravilha da comunicação digital é que é bidirecional, e as ferramentas de hoje mais modernas permitiram facilitar a distribuição do conhecimento. O ponto é que democratizamos a comunicação. Demos um microfone para todo mundo. Mas por outro lado precisamos selecionar o que é relevante.

IMPRENSA - O que acha da fusão entre mídia tradicional e digital?
Carcavallo - Sem dúvida é positivo. O importante é a informação. Venha de profissionais ou não, tem que vir. Independente se for a Al Jazeera ou o blogueiro. E ainda mais hoje, quando a comunidade toma um papel importante na comunicação, porque os profissionais se omitem. Não trabalham eficientemente.

IMPRENSA - Se existe omissão qual o papel da mídia?
Carcavallo - Quando o Dalai Lama esteve pela última vez na Argentina, na coletiva de imprensa eu perguntei qual era o papel da mídia na construção de uma cultura de paz. E o que ele respondeu amplamente foi que a mídia não comunica equitativamente, comunica de forma desequilibrada. Você vê bem menos coisas ruins acontecendo, do que boas. Mas, fala-se mais das poucas coisas ruins e se fala pouco das muitas coisas boas. A humanidade se cansou disso, e decidiu se comunicar com quem ela quer, e do jeito que ela quer.

IMPRENSA - O que impede a mídia de entender isso? É a dependência econômica dos anunciantes? É a ideologia política?
Carcavallo - É a falta de compaixão, me desculpe, mas a mídia esta atrasada se comparadas com seus anunciantes. A mídia não está conseguindo acompanhar os seus anunciantes, ou seja, isso é burrice, o modelo de negócios atual é burro. Constroem a autodestruição e não falam da linguagem dos principais anunciantes, vejam as publicidades, as marcas estão todas sorrindo. 


 Fonte: Portal Imprensa

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